É fácil franchises que perduram há muito tempo caírem na estagnação e muito difícil alguém conseguir injecta-las com vida nova e mudar mecânicas basilares. Isto é certamente verdade na série Tomb Raider
Mesmo com a lufada de ar fresco que a Crystal Dynamics trouxe, bastaram três jogos para que a série voltasse a estagnar em terrenos familiares. Sabendo das dificuldades que mudanças bruscas acarretam, especialmente com os fãs, a Crystal decidiu agitar a fórmula Tomb Raider criando uma nova visão radicalmente diferente, mas foi inteligente ao ponto de criar o jogo como um spin off, de forma a separar águas e acalmar todos os que se estavam a preparar para gritar furiosamente “MAS QUE PORRA É ESTA? ISTO NÃO É UM TOMB RAIDER! MORRAM!”
Com efeito, Lara Croft and the Guardian of Light não é um Tomb Raider, mas sim um… Lara Croft. É o inicio duma nova franchise (com o sucesso que está a ter esperem por mais jogos) centrado na exploradora virtual de seios avantajados. Com esta jogada a Crystal consegue matar dois coelhos duma só cajadada, se por um lado consegue criar uma nova linha de jogos, por outro preparou os jogadores a aceitarem maiores mudanças no próximo Tomb Raider.
As principais alterações em relação à “franchise mãe” prendem-se na nova visão isométrica e na nova vertente arcada rápida e viciante que dá primazia à pontuação final. Em ambos os casos a mudança resulta, se é verdade que a visão isométrica nunca irá ser implementada num Tomb Raider, o estilo mais arcada pode trazer algumas inspirações, especialmente nos inúmeros itens coleccionáveis e nos diferentes objectivos secundários que estendem a duração do jogo e dão razões para o voltar a jogar.
Este é um jogo perfeito para os obsessivo-compulsivos viciados em achievements/feitos/troféus, há dezenas e dezenas de relíquias, armas, power-up’s, troféus, objectivos secundários e diverso material para coleccionar. Alguns destes objectivos estão lá apenas pelo desafio que proporciona, outros dão poderes à Lara como regeneração, melhor pontaria, poder de fogo, melhor defesa, etc.
Grande parte dos puzzles são muito imaginativos e obrigam o jogador a pensar outside the box. Este é um ponto que a meu é obrigatório levar para o próximo Tomb Raider. Se os puzzles são bons, o combate… nem por isso. Quer dizer o combate em si é aceitável, o problema é a incapacidade da Crystal Dynamics em variar a formula básica. Ao longo do jogo os inimigos ficam mais fortes, mas de resto pouco muda. Para além disso recorrem com demasiada frequência ao combate para tapar buracos onde nada acontece.
O co-op é um dos pontos fortes do jogo. Nesse modo de jogo, Lara é acompanhada por Toltec, alguém… importante na história… e os níveis sofrem alterações para que alguns obstáculos só possam ser transpostos com trabalho de equipa. Toltec tem o seu escudo e a imprescindível lança (a forma como introduziram a lança no gameplay é fenomenal) e Lara o grapple hook. Este parece um modo super divertido, mas que infelizmente não pude experimentar muito aprofundadamente. Primeiro porque só está disponivel em modo local e não tenho ninguem que ligue a videojogos disponivel para vir para o meu PC, e porque inexplicavelmente o jogo não trouxe co-op online. Foi prometido que no futuro será implementado, mas até agora nada.
Resumindo, excelente jogo, excelente surpresa que revitalizou uma franchise que todos davam como morta. Há muito tempo que o público em geral não esperava de forma genuína (eu espero sempre) pelo próximo Tomb Raider.
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